O teu riso - Pablo Neruda


Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Mensagem - Ano Novo



Um ano novo se desponta diante de nós: hora de relembrarmos os acontecimentos do passado, de escrever novos poemas, novos sonhos… Conhecer pessoas novas, viajar, aprender coisas novas, crescer, amadurecer, rir, chorar, orar. É tempo de recomeçar, de repropor, de acreditar nas pessoas, de seguir novas veredas…

Que esse ano seja realmente diferente: faça de tudo para dar certo, aproveite as oportunidades que a vida se lhe apresentar. É tempo de solidariedade, de ajudar as pessoas, de buscar a Deus com coração sincero e fazer da fé um projeto de vida. Siga em frente, continue algo que não terminou, comece um sonho que não se realizou e viva cada dia como se fosse o único que não se repete…

Feliz restinho desse tempo que ainda estamos… Feliz tempo novo que surge no horizonte!

Poema: Cantiga para não morrer – Ferreira Gullar


Cantiga para não morrer

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira é um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo. Nasceu no dia 10 de setembro de 1930, faleceu dia 04 de dezembro de 2016.

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